Norte

Benevides

"No futuro justo há liberdade de ser, ver, agir e pensar e a natureza é reconhecida como digna de direitos"

"No futuro justo a fome de pão e beleza são saciados."

"Em futuros justos as portas e janelas são abertas, com todos os seres, todo o universo interligado."

Sonho manifesto dos participantes do encontro no município de Benevides, Pará

Encontro realizado no Garden Hotel, em Benevides-PA, no dia 30 de maio de 2025

Representamos o futuro justo com portas e janelas abertas, pois temos que envolver tudo. Estamos todos interligados. O futuro justo se faz hoje — não é só para as próximas gerações, mas também para o presente. O futuro não é um lugar distante: ele amanhece a cada dia, atravessa nossos corpos e pede decisão. Somos constelações interligadas — gente, animais, rios, floresta, o visível e o invisível, o biótico e o abiótico. Cuidar do todo é cuidar de si; cuidar de si é condição para cuidar do todo. Partimos desse elemento para cuidar da casa comum. Nós fazemos parte dessa casa comum a partir das nossas relações, a partir do nosso dia a dia, o tempo inteiro, com a ideia, com as pessoas que estão ao nosso redor, com as famílias. Queremos um futuro com amor e cuidado pelas pessoas. O futuro é coletividade. Tem um ditado em iorubá que diz que para uma criança ser uma criança, precisa de uma comunidade inteira. O futuro é o viver a ação e não sobreviver por sobreviver. No futuro, queremos que nenhum ser humano morra por falta das necessidades básicas. Pensar no futuro justo começa com as pessoas tendo comida na mesa, tendo o mínimo de dignidade de vida, para que elas possam também ter os melhores sonhos, ter apoio, ter o poder, ter coisas das quais nunca pensamos. O futuro da nossa geração, dos nossos descendentes que ainda virão, é o cuidado com o solo, o cuidado da terra, cultivar, e dar continuidade àquilo que o nosso antepassado já fazia. A praticidade moderna nos mata. Tudo é tão bonito, mas está envenenado. Quando a gente cuida do que plantamos cuidamos da nossa vida. Se quisermos viver nesse colapso, precisamos cuidar da terra, pois ela e a floresta gritam… como se a gente tivesse em cima de algo que vai explodir por que não está mais suportando, tanto é o descaso que nós provocamos. Um futuro onde haja a superação do Estado, a superação da visão colonial que vê a natureza como mercadoria. Existimos porque a gente quer existir. Insistimos para que outros existam com dignidade. Que tenham: Fome de pão e de beleza, ambas saciadas. Sem morte, sem opressão, sem racismo, sem o comando do dinheiro. Sem divisão sexual do trabalho. Sem criminalização de quem defende a vida. Com justiça para as violações. Com liberdade e segurança para se expressar. Com escuta — ouvindo o pequeno murmúrio. Com respeito ao meio ambiente e à diversidade. Com cidades humanas e sustentáveis. Com tecnologia para a vida e o bem-viver. Com espiritualidade. Com um canto de regeneração. Futuro justo é viver — e viver junto. Agora. Com as portas abertas. Em constelação.

Participantes
Turi Omonibo, Raissa Almeida, Alan, Miguel Dantas, Darlene Braga, Darcilene, Mauritius Cleberix, Nazaré Reis, Lucimar Moraes (as pessoas convidadas são oriundas de quatro estados da região Norte)

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