Sul

Curitiba

“O futuro é esse presente que passa por nós.”

“SERIA ESSA SOCIEDADE QUE SUPEROU O PATRIARCADO, SUPEROU O RACISMO, SUPEROU AS OPRESSÕES DE CLASSE, RECONHECE AS DIFERENTES EXPRESSÕES CULTURAIS, RECONHECE A CONEXÃO ENTRE AS PESSOAS E COM A NATUREZA.”

Sonho manifesto dos participantes do encontro no município de Curitiba, Paraná

Encontro realizado no Instituto Nhandecy, no bairro Mercês, em Curitiba-PR, no dia 23 de agosto de 2025

Queremos um futuro justo que comece agora, em que a vida — humana e mais-que-humana — esteja no centro. Um futuro em que o sistema político nacional e global não exista para saquear a nação. Um futuro com menos individualismo, seja na forma de privatização, redes sociais ou outras expressões. Queremos um futuro em que a natureza seja nossa parceira de casa e sustento, onde as florestas, águas, mares e biodiversidade fantásticas prosperem e onde possamos viver do que a terra dá sem esgotá-la. Nele, os saberes ancestrais e comunitários caminham junto da ciência para orientar escolhas que regeneram, e a arte volta a ser alimento cotidiano, abrindo caminhos de sensibilidade, crítica e imaginação. É um futuro em que toda criança nasce e cresce com proteção, afeto e liberdade de brincar; onde a primeira infância organiza políticas e prioridades. As mulheres — no campo e na cidade — têm seu trabalho reconhecido, sua renda assegurada e seus lugares de decisão. Povos originários, culturas diversas e espiritualidades múltiplas são respeitados e celebrados como fontes vivas de sabedoria. O protagonismo negro é real e não decorativo; a diversidade deixa de ser estética e passa a estruturar o comum. Nesse porvir, casa e território são portas de entrada para todos os demais direitos: moradia digna e integrada ao meio natural, bem-estar, antirracismo, igualdade de gênero, alimentação saudável, convivência harmônica com o todo. Animais — selvagens e domésticos — são tratados com dignidade. A tecnologia e o conhecimento, em vez de subordinar a vida ao lucro, fortalecem o cuidado, a equidade, o afeto e o bem-viver. Trabalhamos o necessário para sustentar a existência com dignidade e dedicamos tempo amplo à cultura, à arte, à ciência e à vida em comunidade. A forma de construir esse futuro é coletiva. Projetos são "o que" e "com quem" ao mesmo tempo: nascem de vínculos. Fazemos isso por meio da educação libertadora, da participação popular e da escuta ativa — da natureza, dos mais velhos, das crianças e de nós mesmos. Avançamos em espiral, reconhecendo ciclos, aprendendo, desaprendendo e reaprendendo. Cultivamos relações como quem cuida de uma planta: presença, rega, paciência. E colocamos nossos talentos à luz — "todo talento é grandioso" — para tocar o outro e transformar o que nos cerca. Não buscamos unanimidade; praticamos o dissenso com respeito, superando autoritarismos e abrindo espaço para existências plurais e um processo evolutivo harmônico. A política volta a ser a tarefa de produzir felicidade coletiva. A cidade deixa de enquadrar corpos e modos de vida: é redesenhada por quem a habita. As decisões que importam são tomadas com quem vive seus efeitos. E quando divergimos, que seja nos caminhos — não no objetivo comum de dignidade, justiça e alegria compartilhada. Esse futuro desejado não está distante: o tempo do futuro é hoje. Começa quando cada um transforma em si o que pede do mundo, encontra outros que sonham o mesmo, organiza, luta e conquista. Se tudo foi criado, tudo pode ser modificado. Erguemos nossa colagem comum e seguimos: uma obra viva, em movimento, assinada com terra nas mãos, música no ar e os olhos voltados para as crianças.

Participantes
Jessie Reinert, Evelin Alves, José Farias, Edite Faganello, Ariane Santos, Gentil Oliveira, Karol Rosa, Libina da Silva Rocha, Maria Helena Faller (as pessoas convidadas são oriundas de dois estados da região Sul)

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