Norte

Casa do Povo na COP

“Que as pessoas consigam se manter nos territórios, sem ter que ter tanto esforço para isso, sem ter que ter tanta ameaça para os rios. Que toda a natureza, que a gente consiga viver conservando, mantendo, sendo humano enquanto natureza, assim, humano-natureza.”

“Que nós mulheres possamos nos unir e alcançar o nosso objetivo, que é um só: a gente ter vez e voz.”

"Ter espaços artísticos com portas abertas e apoio financeiro.”

Sonho manifesto dos participantes do encontro realizado na Casa do Povo na COP

Encontro realizado na Casa do Povo na COP, em Belém-PA, no dia 17 de novembro de 2025.

Sonhamos que as mulheres sejam mais valorizadas, ouvidas e presentes nos espaços de decisão. Que os coletivos sejam realmente coletivos: com afeto, cuidado verdadeiro, menos competição e mais apoio mútuo. Que nenhuma menina e nenhuma mulher perca o brilho nos olhos, nem seja destruída pela violência. Que haja respeito nas relações (inclusive conjugais), com reconhecimento da missão e da dignidade das mulheres. Sonhamos que a gente não dependa tanto do dinheiro para realizar os sonhos e não viva para pagar dívida. Sonhamos com economias mais coletivas, solidárias, regenerativas e territoriais, em que o objetivo não seja só lucro, mas uma vida boa, justa, ecológica. Que o dinheiro circule no território, fortalecendo comunidades, e que possamos redefinir “sucesso” para que seja menos sobre meritocracia, e mais sobre conexão, suficiência e dignidade. Sonhamos que existam políticas e apoios concretos para pequenos agricultores, artesãs, grupos de mulheres empreendedoras da floresta como das Mulheres Tapajônicas e outras trabalhadoras invisibilizadas. Acreditamos que manter a floresta em pé significa garantir que as pessoas possam permanecer em seus territórios e aldeias, sem ameaças constantes. Precisamos lutar contra os impactos do agronegócio e seu avanço em nossos territórios. Parte importante disso é o nosso sonho de conseguir a demarcação de terras e assentamentos, reconhecendo que são territórios de povos nativos, não apenas “assentados”. Sonhamos com saúde de qualidade para as mulheres, principalmente as mulheres do campo. Que doenças graves como o câncer de mama não condenem tantas companheiras que não têm acesso a tratamento. Que as jovens e as mais velhas estejam juntas, em espaços compartilhados de troca, construindo futuro com base na memória. É importante que as pessoas idosas sejam valorizadas como guardiãs da história, que convivam com jovens para compartilhar memórias, modos de vida, casas de farinha e saberes tradicionais. Sonhamos que espaços como a Casa Familiar Rural, as escolas agrícolas e outras que seguem a pedagogia do campo possam ser referência e ganhem visibilidade e cuidado por parte dos governantes. A arte, a cultura e a espiritualidade também povoam os nossos sonhos – sonhamos com sedes culturais para grupos de Carimbó, cozinhas coletivas agroecológica bem estruturadas, onde se possa cozinhar juntas, servir café e produzir. Sonhamos com mais casas de farinha, casas de artesanato e casas de sementes. Reconhecemos o sonho, música, carimbó, poesia, bordado, colagem, mural, mutirão, roda de conversa e espiritualidade como “tecnologias ancestrais” de luta e de materialização de sonhos. Sonhos individuais que ressoam nessa roda, como ser mãe, ter casa própria, terminar a reforma de casa, viajar para outros lugares do Brasil e do mundo, abrir um restaurante à beira rio e aprender melhor o português, se conectam com esses sonhos coletivos, porque encontram força no coletivo e nos constituem enquanto seres humanos.

Participantes
Annalena Opel, Célio Duarte, Vinicius Mendes, Olivia Beatriz, Sabrina, Marlene, Kelviane, Suelen, Sonia, Rosa, Ana Maria, Kelvin, Silene, Niraci, Aline, Amália, Denilse, Elaine, Sônia Martins, Lulu

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